segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Satisfação

Chega a ser estranho reler essas antigas páginas de dor sufocada e chegar aqui hoje com a mente vazia. Tento concretizar minha poesia, mas é tudo tão abstrato que não flui.
Espero um dia ser capaz de vomitar minhas angústias aqui novamente. Mas qualquer hora dessas a inspiração surge e inevitavelmente aqui estarei eu em mais uma declaração melo dramática. Afinal, o tempo passa e as rotinas mudam.
Os desabafos não.

domingo, 8 de agosto de 2010

Memórias condensadas

02/08/10

Odeio essa distância entre nós. Odeio ter que me contentar com um olhar. Queria sentir teu abraço. Ouvir tua voz todos os dias.
Queria ser feliz com você por perto.
Bem perto.


03/08/10
E por maior que seja essa distância, eu ainda acredito que há uma conexão muito forte que nos mantém unidos, mesmo que indiretamente. Talvez seja recíproco ou apenas mais um devaneio, mas o que eu sinto por você, irrevogavelmente, é mais real do que tudo que já tive a oportunidade de sentir.


04/08/10
Você sabe que eu te amo... ou pelo menos deveria saber, analisando o lado óbvio das coisas. Eu só quero um sinal, porque o instinto de te abraçar é muito intenso e eu cansei de me controlar. Preciso da certeza de uma reciprocidade, mas isso, só quem pode me dizer é você mesmo. E eu ainda estou esperando a resposta.


05/08/10
Distância.
Tão perto, tão longe...
Alguns metros nos separam mas eu te carrego aonde quer que eu vá. E quando eu vejo de longe um sorriso iluminando teu rosto, isso já basta pra manter meu dia aquecido.
É, eu te amo.


07/08/10
E depois de algumas semanas, eu finalmente pude ouvir o tom da tua voz novamente. E você não sabe o quanto isso me faz falta.

08/08/10
Antes meu domingo era dominado por uma certa agonia, com toda aquela pressão de retornar à minha rotina de segunda à sexta. Mas atualmente tanto faz. Domingo é apenas mais um dia que eu espero anciosamente pelo fim, já que agora minha rotina é você.

sábado, 10 de abril de 2010

Objetiva
Quando a realidade não se encontra tão lúcida e a tristeza ultrapassa os limites da mente, desvio meu raciocínio para a criação desse esboço sentimental medíocre. Esquivar-se das lágrimas parece-me muito mais consciente que dançar em meio à piedade alheia, por isso escrever é tão mais fácil que demonstrar emoções. E esse aqui é o meu refúgio.
Incrível como o ponto de partida é sempre o mesmo e o inspirador também. Nada mais do que decepções cotidianas, desilusões sentimentais e umas boas músicas agravadoras de depressão. Receita perfeita para uma boa melancolia que precisa ser exposta.
Você sente uma necessidade básica de deixar que toda essa mágoa extravase do seu interior. Você precisa se libertar das lâminas que te perfuram incessavelmente. E o caminho? É esse: a escrita. Essa cova que vai te acolher em todos os momentos e não pedirá qualquer explicação, afinal existe justificação mais significativa que a própria palavra?

terça-feira, 2 de março de 2010

Omissão
Eu posso sentir esse líquido cristalino proveniente do firmamento deslizando por minha face agora mesmo, acentuando a alvidez própria de minha pele, enquanto congela minhas expressões inexpressíveis e eu caminho sem rumo pelas ruas desertas dessa cidade sem dono, sendo guiada apenas pela música
em meus ouvidos, incentivando-me a seguir adiante nessa minha caminhada moral.
Por dentro a calidez, tão disfarçada externamente pelo clima gélido, ainda se faz presente internamente com sua chama sempre acesa, ardendo em brasa, queimando órgãos. A máscara de inexpressão escondendo um oceano de emoções desfrutadas somente pelo íntimo, não visíveis às centenas de almas que perambulam descontroladas, num ritmo rotineiro de segunda-feira.
E em meio a essa escuridão de um dia tomado pelas águas que desabam bravas do céu, tenho meus
pensamentos, decisões e conclusões feitas: hora de (tentar) esquecer o inesquecível, seguir adiante e apagar um passado perfeitamente imperfeito. Hora de utilizar da "amnésia sentimental" que, eu sei... machucará intimamente como uma lâmina que perfura a pele. Mas ainda assim, a condição será mantida. Afinal, você me enrolou e depois cortou a linha. E a partir de agora, será como se você nunca tivesse existido.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Afeição
Eu poderia ficar horas e horas
vomitando palavras pra tentar expressar esse sentimento inexpressível. Utilizar-me dos vocábulos mais profundos, das metáforas mais complexas e dos termos mais normativos e ainda assim não seria capaz de transmitir um mísero fragmento dessa sensação tão subjetiva. Sinto. E não conceituo. Apenas mantenho acesa a chama deste sentimento, tão evidente e tão implícito, meio que simultaneamente. Guardo atos, palavras e gestos, aprisionados na mente, e os relembro sempre, como uma forma de tentar reviver o passado. Sinto a ausência todos os dias. Desencontros frequentes, uma distância incômoda e um oceano de desdém que vai matando lentamente, corroendo e destruindo as poucas esperanças ainda ferventes de um possível futuro e ainda assim eu insisto em esperar sentada por uma atitude, ficar lamentando-se através de desabafos clichês melodramáticos, e tudo isso pela covardia e pelo receio de tentar resolver problemas sentimentais. Talvez, o grande problema mesmo esteja armazenado dentro das minhas próprias conclusões, quando insisto em continuar idealizando uma realidade inexistente através de memórias agradáveis, vivendo da fantasia pra disfarçar um sentimento que não é mútuo. Mas infelizmente, a imaginação não é o suficiente para sustentar um sentimento como esse. Não é nem nunca será.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Conclusões
Passei toda a minha vida, ou grande parte dela, sendo estereotipada como "a garota que tira boas notas", "a certinha" ou até mesmo "a antissocial". Foram longos os tempos que passei nesse ritmo repleto de privação e julgamentos e eu... bom, eu simplesmente vim levando as coisas... ou arrastando-as, como quiser. Sempre fui julgada por meus méritos, trancafiada numa redoma de vidro, sempre cheia de limites e preocupações com as opiniões alheias, escrava dos conceitos. E agora, passados longos 14 anos da minha tão resumível vida, começo a provar os primeiros goles da liberdade. Não apenas a liberdade para "fazer o que as outras pessoas fazem". Não falo só disso! Eu falo também da liberdade de espírito, da liberdade de expressão, da liberdade de opinião, da liberdade de pensamento, da liberdade estética e até mesmo da liberdade sentimental. Aprendi a falar mais ao invés de escutar sempre, a não sorrir sem vontade. Cultivei amizades, fui rude e arrogante quando preciso e provavelmente chamada de chata ou conservadora por ser séria demais, mas não me arrependo. Sei que momentaneamente qualquer ato teve uma justificativa, certa ou errada, isto depende muito do ver de cada um. Aliás, se me perguntassem, também diria que não me arrependo de ter esperado tanto pra mudar. As coisas têm sua hora certa. Viver prematuramente é errado, é lamentador! Mais que uma porta aberta pra erros irreparáveis. E hoje eu digo, que mesmo com os altos e baixos, as decepções do dia-a-dia, ou os novos sentimentos surgindo e não sendo correspondidos, eu admiro o jeito que eu cheguei até a minha aparente felicidade repentina. Obrigada, passado, pelos maus momentos que proporcionaram um presente sábio. Obrigada, presente, pelas alegrias e surpresas constantes. E obrigada, futuro, pelo que você tem a me reservar. Ou será que eu deveria dizer... obrigada,
destino?

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Incertezas
É engraçado como a vida toma rumos diferentes daqueles que você pensou que seguiria um dia. Como pessoas que você nunca imaginaria acabam se tornando extremamente essenciais e aquelas que você poderia jurar tê-las pra sempre, por fim escapam-lhe às mãos e se misturam aos outros tantos atrativos do mundo. Mas apesar de todas essas mudanças, ainda consigo apreciar a incerteza da vida, pois é nela que se escondem as grandes surpresas, que acabam tornando nossos rumos interessantes o suficiente para se tornarem inesquecíveis.