sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Afeição
Eu poderia ficar horas e horas
vomitando palavras pra tentar expressar esse sentimento inexpressível. Utilizar-me dos vocábulos mais profundos, das metáforas mais complexas e dos termos mais normativos e ainda assim não seria capaz de transmitir um mísero fragmento dessa sensação tão subjetiva. Sinto. E não conceituo. Apenas mantenho acesa a chama deste sentimento, tão evidente e tão implícito, meio que simultaneamente. Guardo atos, palavras e gestos, aprisionados na mente, e os relembro sempre, como uma forma de tentar reviver o passado. Sinto a ausência todos os dias. Desencontros frequentes, uma distância incômoda e um oceano de desdém que vai matando lentamente, corroendo e destruindo as poucas esperanças ainda ferventes de um possível futuro e ainda assim eu insisto em esperar sentada por uma atitude, ficar lamentando-se através de desabafos clichês melodramáticos, e tudo isso pela covardia e pelo receio de tentar resolver problemas sentimentais. Talvez, o grande problema mesmo esteja armazenado dentro das minhas próprias conclusões, quando insisto em continuar idealizando uma realidade inexistente através de memórias agradáveis, vivendo da fantasia pra disfarçar um sentimento que não é mútuo. Mas infelizmente, a imaginação não é o suficiente para sustentar um sentimento como esse. Não é nem nunca será.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Conclusões
Passei toda a minha vida, ou grande parte dela, sendo estereotipada como "a garota que tira boas notas", "a certinha" ou até mesmo "a antissocial". Foram longos os tempos que passei nesse ritmo repleto de privação e julgamentos e eu... bom, eu simplesmente vim levando as coisas... ou arrastando-as, como quiser. Sempre fui julgada por meus méritos, trancafiada numa redoma de vidro, sempre cheia de limites e preocupações com as opiniões alheias, escrava dos conceitos. E agora, passados longos 14 anos da minha tão resumível vida, começo a provar os primeiros goles da liberdade. Não apenas a liberdade para "fazer o que as outras pessoas fazem". Não falo só disso! Eu falo também da liberdade de espírito, da liberdade de expressão, da liberdade de opinião, da liberdade de pensamento, da liberdade estética e até mesmo da liberdade sentimental. Aprendi a falar mais ao invés de escutar sempre, a não sorrir sem vontade. Cultivei amizades, fui rude e arrogante quando preciso e provavelmente chamada de chata ou conservadora por ser séria demais, mas não me arrependo. Sei que momentaneamente qualquer ato teve uma justificativa, certa ou errada, isto depende muito do ver de cada um. Aliás, se me perguntassem, também diria que não me arrependo de ter esperado tanto pra mudar. As coisas têm sua hora certa. Viver prematuramente é errado, é lamentador! Mais que uma porta aberta pra erros irreparáveis. E hoje eu digo, que mesmo com os altos e baixos, as decepções do dia-a-dia, ou os novos sentimentos surgindo e não sendo correspondidos, eu admiro o jeito que eu cheguei até a minha aparente felicidade repentina. Obrigada, passado, pelos maus momentos que proporcionaram um presente sábio. Obrigada, presente, pelas alegrias e surpresas constantes. E obrigada, futuro, pelo que você tem a me reservar. Ou será que eu deveria dizer... obrigada,
destino?

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Incertezas
É engraçado como a vida toma rumos diferentes daqueles que você pensou que seguiria um dia. Como pessoas que você nunca imaginaria acabam se tornando extremamente essenciais e aquelas que você poderia jurar tê-las pra sempre, por fim escapam-lhe às mãos e se misturam aos outros tantos atrativos do mundo. Mas apesar de todas essas mudanças, ainda consigo apreciar a incerteza da vida, pois é nela que se escondem as grandes surpresas, que acabam tornando nossos rumos interessantes o suficiente para se tornarem inesquecíveis.