quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Vômito sentimental
Já se passaram cinco anos desde que me vejo presa nessa rotina perturbadora. Cinco anos nessa condição de ignorada pela vida, pelos momentos, pelas pessoas. Convivendo
diariamente com as mesmas situações, os mesmos sentimentos, as mesmas dores. Depositando rancores e palavras que não puderam ser ditas num grande recipiente acolhedor e maternal chamado alma. Foram tão poucas as alegrias se comparadas às decepções, tão poucos os amigos se comparados aos estranhos... E tanta paciência foi gasta em troca do vento. Nem ao menos o respeito foi ganho.
E a indignação, sempre fervendo o sangue, pois o sentimento de incapacidade sempre esteve presente e nada pude fazer contra isso. Muitas vezes, tenho plena noção, houveram inocentes crucificados, sofrendo por maus momentos da mente. E é claro que devo mencionar os estados de espírito. Ah, sentimentos! Costumo pensar que eles fazem parte de uma escala, uns bons, outros ruins, mas sempre únicos. Carregados de significados, lamentos e discórdias que acabam por levar o ser humano à decadência.
Faz um bom tempo que existe essa omissão, talvez mais até que estes cinco anos. É só ligar os fatos, analisar as sensações não recíprocas e conhecer as palavras pegas ao vento. Talvez, não seja tão complexo entender a cabeça das pessoas. É precisa apenas uma convivência, aproximação das desgraças sofridas. Aquele que enxerga somente o aprazível jamais será capaz de compreender a verdadeira essência da vida.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Erros
É
difícil conviver com esse sentimento cravado no coração há tanto tempo. Queimando internamente, perfurando as cavidades mais profundas. Às vezes flagro-me idealizando o presente com outro começo, imaginando se a culpa de toda essa agonia é minha ou se já fui destinada a essa decadente realidade desde o princípio. Inúmeras foram as vezes que a tristeza surgiu e eu a reprimi sem dó. Depositando-a cuidadosamente em mim, guardando o pranto na garganta, atendendo às necessidades do meu orgulho patético. Cheia de medo diante da compaixão dos outros. Mas a verdade é que a tristeza não escolhe hora nem lugar. Ela é como o coração que bate involuntariamente. E mostra-se mais aguçada quando a escuridão atinge o firmamento, em meio à morbidez das sombras projetadas pelas lâmpadas e as músicas lentas, que mais servem como uma trilha sonora incentivando as lágrimas a realizar seu movimento de precipitação, sempre em queda, desfocando a visão, molhando faces, salgando lábios, inundando corações. Talvez este seja o destino de todo ser humano: sofrer. Compreender a vida através de sensações desgostosas. Pois a beleza só será decifrada após a convivência com a mágoa.