segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Erros
É
difícil conviver com esse sentimento cravado no coração há tanto tempo. Queimando internamente, perfurando as cavidades mais profundas. Às vezes flagro-me idealizando o presente com outro começo, imaginando se a culpa de toda essa agonia é minha ou se já fui destinada a essa decadente realidade desde o princípio. Inúmeras foram as vezes que a tristeza surgiu e eu a reprimi sem dó. Depositando-a cuidadosamente em mim, guardando o pranto na garganta, atendendo às necessidades do meu orgulho patético. Cheia de medo diante da compaixão dos outros. Mas a verdade é que a tristeza não escolhe hora nem lugar. Ela é como o coração que bate involuntariamente. E mostra-se mais aguçada quando a escuridão atinge o firmamento, em meio à morbidez das sombras projetadas pelas lâmpadas e as músicas lentas, que mais servem como uma trilha sonora incentivando as lágrimas a realizar seu movimento de precipitação, sempre em queda, desfocando a visão, molhando faces, salgando lábios, inundando corações. Talvez este seja o destino de todo ser humano: sofrer. Compreender a vida através de sensações desgostosas. Pois a beleza só será decifrada após a convivência com a mágoa.

Nenhum comentário:

Postar um comentário