Objetiva
Quando a realidade não se encontra tão lúcida e a tristeza ultrapassa os limites da mente, desvio meu raciocínio para a criação desse esboço sentimental medíocre. Esquivar-se das lágrimas parece-me muito mais consciente que dançar em meio à piedade alheia, por isso escrever é tão mais fácil que demonstrar emoções. E esse aqui é o meu refúgio.
Incrível como o ponto de partida é sempre o mesmo e o inspirador também. Nada mais do que decepções cotidianas, desilusões sentimentais e umas boas músicas agravadoras de depressão. Receita perfeita para uma boa melancolia que precisa ser exposta.
Você sente uma necessidade básica de deixar que toda essa mágoa extravase do seu interior. Você precisa se libertar das lâminas que te perfuram incessavelmente. E o caminho? É esse: a escrita. Essa cova que vai te acolher em todos os momentos e não pedirá qualquer explicação, afinal existe justificação mais significativa que a própria palavra?
sábado, 10 de abril de 2010
terça-feira, 2 de março de 2010
Omissão
Eu posso sentir esse líquido cristalino proveniente do firmamento deslizando por minha face agora mesmo, acentuando a alvidez própria de minha pele, enquanto congela minhas expressões inexpressíveis e eu caminho sem rumo pelas ruas desertas dessa cidade sem dono, sendo guiada apenas pela música
em meus ouvidos, incentivando-me a seguir adiante nessa minha caminhada moral.
Por dentro a calidez, tão disfarçada externamente pelo clima gélido, ainda se faz presente internamente com sua chama sempre acesa, ardendo em brasa, queimando órgãos. A máscara de inexpressão escondendo um oceano de emoções desfrutadas somente pelo íntimo, não visíveis às centenas de almas que perambulam descontroladas, num ritmo rotineiro de segunda-feira.
E em meio a essa escuridão de um dia tomado pelas águas que desabam bravas do céu, tenho meus pensamentos, decisões e conclusões feitas: hora de (tentar) esquecer o inesquecível, seguir adiante e apagar um passado perfeitamente imperfeito. Hora de utilizar da "amnésia sentimental" que, eu sei... machucará intimamente como uma lâmina que perfura a pele. Mas ainda assim, a condição será mantida. Afinal, você me enrolou e depois cortou a linha. E a partir de agora, será como se você nunca tivesse existido.
Eu posso sentir esse líquido cristalino proveniente do firmamento deslizando por minha face agora mesmo, acentuando a alvidez própria de minha pele, enquanto congela minhas expressões inexpressíveis e eu caminho sem rumo pelas ruas desertas dessa cidade sem dono, sendo guiada apenas pela música
Por dentro a calidez, tão disfarçada externamente pelo clima gélido, ainda se faz presente internamente com sua chama sempre acesa, ardendo em brasa, queimando órgãos. A máscara de inexpressão escondendo um oceano de emoções desfrutadas somente pelo íntimo, não visíveis às centenas de almas que perambulam descontroladas, num ritmo rotineiro de segunda-feira.
E em meio a essa escuridão de um dia tomado pelas águas que desabam bravas do céu, tenho meus pensamentos, decisões e conclusões feitas: hora de (tentar) esquecer o inesquecível, seguir adiante e apagar um passado perfeitamente imperfeito. Hora de utilizar da "amnésia sentimental" que, eu sei... machucará intimamente como uma lâmina que perfura a pele. Mas ainda assim, a condição será mantida. Afinal, você me enrolou e depois cortou a linha. E a partir de agora, será como se você nunca tivesse existido.
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Afeição
Eu poderia ficar horas e horas vomitando palavras pra tentar expressar esse sentimento inexpressível. Utilizar-me dos vocábulos mais profundos, das metáforas mais complexas e dos termos mais normativos e ainda assim não seria capaz de transmitir um mísero fragmento dessa sensação tão subjetiva. Sinto. E não conce
ituo. Apenas mantenho acesa a chama deste sentimento, tão evidente e tão implícito, meio que simultaneamente. Guardo atos, palavras e gestos, aprisionados na mente, e os relembro sempre, como uma forma de tentar reviver o passado. Sinto a ausência todos os dias. Desencontros frequentes, uma distância incômoda e um oceano de desdém que vai matando lentamente, corroendo e destruindo as poucas esperanças ainda ferventes de um possível futuro e ainda assim eu insisto em esperar sentada por uma atitude, ficar lamentando-se através de desabafos clichês melodramáticos, e tudo isso pela covardia e pelo receio de tentar resolver problemas sentimentais. Talvez, o grande problema mesmo esteja armazenado dentro das minhas próprias conclusões, quando insisto em continuar idealizando uma realidade inexistente através de memórias agradáveis, vivendo da fantasia pra disfarçar um sentimento que não é mútuo. Mas infelizmente, a imaginação não é o suficiente para sustentar um sentimento como esse. Não é nem nunca será.
Eu poderia ficar horas e horas vomitando palavras pra tentar expressar esse sentimento inexpressível. Utilizar-me dos vocábulos mais profundos, das metáforas mais complexas e dos termos mais normativos e ainda assim não seria capaz de transmitir um mísero fragmento dessa sensação tão subjetiva. Sinto. E não conce
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Conclusões
Passei toda a minha vida, ou grande parte dela, sendo estereotipada como "a garota que tira boas notas", "a certinha" ou até mesmo "a antissocial". Foram longos os tempos que passei nesse ritmo repleto de privação e julgamentos e eu... bom, eu simplesmente vim levando as coisas... ou arrastando-as, como quiser. Sempre fui julgada por meus méritos, trancafiada numa redoma de vidro, sempre cheia de limites e preocupações com as opiniões alheias, escrava dos conceitos. E agora, passados longos 14 anos da minha tão resumível vida, começo a provar os primeiros goles da liberdade. Não apenas a liberdade para "fazer o que as outras pessoas fazem". Não falo só disso! Eu falo também da liberdade de espírito, da liberdade de expressão, da liberdade de opinião, da liberdade de pensamento, da liberdade estética e até mesmo da liberdade sentimental. Aprendi a falar mais ao invés de escutar sempre, a não sorrir sem vontade. Cultivei amizades, fui rude e arrogante quando preciso e provavelmente chamada de chata ou conservadora por ser séria demais, mas não me arrependo. Sei que momentaneamente qualquer ato teve uma justificativa, certa ou errada, isto depende muito do ver de cada um. Aliás, se me perguntassem, também diria que não me arrependo de ter esperado tanto pra mudar. As coisas têm sua hora certa. Viver prematuramente é errado, é lamentador! Mais que uma porta aberta pra erros irreparáveis. E hoje eu digo, que mesmo com os altos e baixos, as decepções do dia-a-dia, ou os novos sentimentos surgindo e não sendo correspondidos, eu admiro o jeito que eu cheguei até a minha aparente felicidade repentina. Obrigada, passado, pelos maus momentos que proporcionaram um presente sábio. Obrigada, presente, pelas alegrias e surpresas constantes. E obrigada, futuro, pelo que você tem a me reservar. Ou será que eu deveria dizer... obrigada, destino?
Passei toda a minha vida, ou grande parte dela, sendo estereotipada como "a garota que tira boas notas", "a certinha" ou até mesmo "a antissocial". Foram longos os tempos que passei nesse ritmo repleto de privação e julgamentos e eu... bom, eu simplesmente vim levando as coisas... ou arrastando-as, como quiser. Sempre fui julgada por meus méritos, trancafiada numa redoma de vidro, sempre cheia de limites e preocupações com as opiniões alheias, escrava dos conceitos. E agora, passados longos 14 anos da minha tão resumível vida, começo a provar os primeiros goles da liberdade. Não apenas a liberdade para "fazer o que as outras pessoas fazem". Não falo só disso! Eu falo também da liberdade de espírito, da liberdade de expressão, da liberdade de opinião, da liberdade de pensamento, da liberdade estética e até mesmo da liberdade sentimental. Aprendi a falar mais ao invés de escutar sempre, a não sorrir sem vontade. Cultivei amizades, fui rude e arrogante quando preciso e provavelmente chamada de chata ou conservadora por ser séria demais, mas não me arrependo. Sei que momentaneamente qualquer ato teve uma justificativa, certa ou errada, isto depende muito do ver de cada um. Aliás, se me perguntassem, também diria que não me arrependo de ter esperado tanto pra mudar. As coisas têm sua hora certa. Viver prematuramente é errado, é lamentador! Mais que uma porta aberta pra erros irreparáveis. E hoje eu digo, que mesmo com os altos e baixos, as decepções do dia-a-dia, ou os novos sentimentos surgindo e não sendo correspondidos, eu admiro o jeito que eu cheguei até a minha aparente felicidade repentina. Obrigada, passado, pelos maus momentos que proporcionaram um presente sábio. Obrigada, presente, pelas alegrias e surpresas constantes. E obrigada, futuro, pelo que você tem a me reservar. Ou será que eu deveria dizer... obrigada, destino?
domingo, 7 de fevereiro de 2010
Incertezas
É engraçado como a vida toma rumos diferentes daqueles que você pensou que seguiria um dia. Como pessoas que você nunca imaginaria acabam se tornan
do extremamente essenciais e aquelas que você poderia jurar tê-las pra sempre, por fim escapam-lhe às mãos e se misturam aos outros tantos atrativos do mundo. Mas apesar de todas essas mudanças, ainda consigo apreciar a incerteza da vida, pois é nela que se escondem as grandes surpresas, que acabam tornando nossos rumos interessantes o suficiente para se tornarem inesquecíveis.
É engraçado como a vida toma rumos diferentes daqueles que você pensou que seguiria um dia. Como pessoas que você nunca imaginaria acabam se tornan
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Vômito sentimental
Já se passaram cinco anos desde que me vejo presa nessa rotina perturbadora. Cinco anos nessa condição de ignorada pela vida, pelos momentos, pelas pessoas. Convivendo diariamente com as mesmas situações, os mesmos sentimentos, as mesmas dores. Depositando rancores e palavras que não puderam ser ditas num grande recipiente acolhedor e maternal chamado alma. Foram tão poucas as
alegrias se comparadas às decepções, tão poucos os amigos se comparados aos estranhos... E tanta paciência foi gasta em troca do vento. Nem ao menos o respeito foi ganho.
Já se passaram cinco anos desde que me vejo presa nessa rotina perturbadora. Cinco anos nessa condição de ignorada pela vida, pelos momentos, pelas pessoas. Convivendo diariamente com as mesmas situações, os mesmos sentimentos, as mesmas dores. Depositando rancores e palavras que não puderam ser ditas num grande recipiente acolhedor e maternal chamado alma. Foram tão poucas as
E a indignação, sempre fervendo o sangue, pois o sentimento de incapacidade sempre esteve presente e nada pude fazer contra isso. Muitas vezes, tenho plena noção, houveram inocentes crucificados, sofrendo por maus momentos da mente. E é claro que devo mencionar os estados de espírito. Ah, sentimentos! Costumo pensar que eles fazem parte de uma escala, uns bons, outros ruins, mas sempre únicos. Carregados de significados, lamentos e discórdias que acabam por levar o ser humano à decadência.
Faz um bom tempo que existe essa omissão, talvez mais até que estes cinco anos. É só ligar os fatos, analisar as sensações não recíprocas e conhecer as palavras pegas ao vento. Talvez, não seja tão complexo entender a cabeça das pessoas. É precisa apenas uma convivência, aproximação das desgraças sofridas. Aquele que enxerga somente o aprazível jamais será capaz de compreender a verdadeira essência da vida.
Faz um bom tempo que existe essa omissão, talvez mais até que estes cinco anos. É só ligar os fatos, analisar as sensações não recíprocas e conhecer as palavras pegas ao vento. Talvez, não seja tão complexo entender a cabeça das pessoas. É precisa apenas uma convivência, aproximação das desgraças sofridas. Aquele que enxerga somente o aprazível jamais será capaz de compreender a verdadeira essência da vida.
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
É difícil conviver com esse sentimento cravado no coração há tanto tempo. Queimando internamente, perfurando as cavidades mais profundas. Às vezes flagro-me idealizando o presente com outro começo, imaginando se a culpa de toda essa agonia é minha ou se já fui destinada a essa decadente realidade desde o princípio. Inúmeras foram as vezes que a tristeza surgiu e eu a reprimi sem dó. Depositando-a cuidadosamente em mim, guardando o pranto na garganta, atendendo às necessidades do meu orgulho patético. Cheia de medo diante da compaixão dos outros. Mas a verdade é que a tristeza não escolhe hora nem lugar. Ela é como o coração que bate involuntariamente. E mostra-se mais aguçada quando a escuridão atinge o firmamento, em meio à morbidez das sombras projetadas pelas lâmpadas e as músicas lentas, que mais servem como uma trilha sonora incentivando as lágrimas a realizar seu movimento de precipitação, sempre em queda, desfocando a visão, molhando faces, salgando lábios, inundando corações. Talvez este seja o destino de todo ser humano: sofrer. Compreender a vida através de sensações desgostosas. Pois a beleza só será decifrada após a convivência com a mágoa.
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